Gravura Brasileira

Leandro Melo Figueiredo

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Quem é Leandro Melo Figueiredo

Leandro Melo  Figueiredo é filho de Luiz Gonzaga Duarte Figueiredo e Sibele França Melo. Nascido em Sete Lagoas , Minas Gerais, formado em Pintura e Gravura pela UFMG. Atualmente vive em Padova, Italia e estuda na Scuola Internazionale di Grafica Venezia.Participou de salões e exposições de arte no Brasil, Uruguai e Alemanha.

 

Como a arte entrou em sua vida?

 Era bastante novo, tinha uns 9 anos. Ficava debaixo do balcão do açougue do meu pai desenhando os bovinos dos calendários que haviam lá. Era um tempo bom, meu pai me dava aquele papel rosado belíssimo de embrulhar a carne e eu desenhava com caneta Bic. Pode parecer estranho, embora o universo do abate seja uma coisa marcante nas minhas gravuras, sempre estive ali no açougue, desenhando, vendo o canhão da máquina de moer, era normal . As vezes, o pai tinha que me interromper para fechar o açougue.Na escola, quando dava o intervalo em vez de ir para o recreio com o pessoal da turma, gostava de desenhar leões e leopardos que via nos livros de ciências, desde novo detestava andar em bando.

 

Como foi sua formação artística?

Fiz um curso de desenho na minha cidade, era desenho de observação. Desenhei naturezas mortas, pessoas, paisagens. Ingressei na UFMG em Belo horizonte, fiz disciplinas de desenho e escolhi fazer gravura em Metal com O Clebio Maduro. Tenho-o como um pai, me ensinou sobre composição e sobre como aliar o conteúdo ao modo de execução, que técnica usar. Experimentei água-forte, Lavis, agua-tinta, nanquim com mel. O Maduro fazia a gente polir bem a matriz, a trabalhar muito, ter disciplina , horários; era rigoroso conosco porque não o era diferente com o seu próprio trabalho artístico. Eu passava horas na biblioteca e via reproduções de Leonardo da Vinci, Pontormo, Michelangelo, Delacroix, Goya. Copiava tudo e adorava a cor sépia dos cadernos de estudo dos mestres renascentistas. Vi duas exposições marcantes em Belo horizonte:uma de desenhos do Marcelo Grassmamm, outra de pinturas de artistas renomados da arte brasileira como Portinari, Guinle, Iberê Camargo e tantos outros reunidos nessa mostra. Depois, estudei pintura com o Mario Zavagli e o Lincoln Volpini e pude experimentar muito. Fiz basicamente retratos, alguns mais detalhados, mas havia sempre uma vontade de soltar a mão, fazer uma arte mais gestual. Em Belo Horizonte ainda participei do coletivo de pintura BASTARDO integrado por Daniel Hazan , Arthur Arnold e eu, foi uma experiência excelente, aprendi muito com todos eles, conhecemos o Leo Brizola que nos incentivou muito a mostrar o trabalho. É  bom sair, discutir as ideias com os amigos, olhar para o céu a noite ou o chão áspero que se pisa, passar o  tempo meditando mesmo, revendo acontecimentos, revendo a vida.

 

Como você descreve sua obra e que meios utiliza para construí-la?

Eu começo desenhando uma cabeça, pode ser homem, mulher, boi ,uma carcaça. Depois disso alongo as figuras, experimento planos. Desenho sempre, a parede do meu atelier è toda rabiscada.(Adoro essa construção que a historia da arte chamou de Cubismo); dentro dele eu posso criar texturas, campos de cor; isso quando  trabalho em algo figurativo. Nas pinturas abstratas, ou parto de um desenho pré-concebido de um caderno de esboços ou vou direto à tela, violentamente, com tinta preta. Seja em desenho, pintura ou gravura o trabalho há de funcionar de uma maneira visual. As tentativas são sucessivas e os arrependimentos acontecem sim. Para se construir algo às vezes é necessário destruir, aqui na Itália chamamos isso de "pentimento", esse ato de arrepender e fazer novamente.

 

Gravura ou pintura, em qual você se sente mais confortável?

Bom, Marcio, em verdade não me sinto confortável em momento algum e é isso que me faz fazer várias coisas ao mesmo tempo, a me mover entre mundos. Houve um ano em que expus pinturas em uma institucional e gravuras na outra, foi uma loucura, mas eu sempre produzi muito. Penso que na pintura há uma relação mais direta no fazer e na arte da incisão você depende de outros meios que são o ácido que grava a primeira impressão da matriz e o que virá depois disso. Vejo a gravura como um verdadeiro labirinto de possibilidades.

 

Que artistas influenciam seu pensamento?

 Rembrandt, Delacroix, Soutine, Picasso, De Kooning, Franz Kline, Antoni Tapies, Philip Guston, Baselitz entre outros.

 

 

Além do estudo de arte, que outras influencias entram em sua obra?

Gosto de ver as pessoas, o seu jeito de olhar, a sua conversação nos bares, em fim , como se comportam . Nos primeiros meses aqui na Itália, morei numa cidade chamada Lido de Jesolo, de frente para o mar. Caminhava à noite, sentia o vento na cara. Fiz isso algumas vezes no Rio de Janeiro também. A musica da pianista Tori Amos e a poesia de Manoel de Barros me incitam bastante a criar. Prefiro música à cinema mas gosto bastante de Win Wenders. Repara que nos filmes dele tem sempre uma sombra projetada sozinha, uns caras de terno e umas fotografias. Acho bem intimistas as situações que ele cria para as personagens

 

É possível viver de arte no Brasil?.

 Com muito esforço sim.

 

 

Você está estudando em Veneza, do que se trata e qual sua expectativa?

Estudo gravura em metal.O curso é ótimo e fui bem recebido. O mais interessante foi poder ver várias exposições dentro e fora da escola, conviver com artistas do mundo inteiro e poder caminhar pela belíssima cidade de Veneza, ver as bíforas de suas casas,  suas águas, sua luz.

 

 

Você está estudando em Veneza, do que se trata e qual sua expectativa?

.Com base no que vivencio aqui e o que já estudei na UFMG, é que aqui estudo basicamente técnicas de gravura e a discussão sobre os trabalhos apresentados, porém tudo ligado à produção dos artistas. Na UFMG, por outro lado, estuda-se a prática e também matérias de História da Arte, ou seja, é uma universidade de Arte e Crítica. Na Itália, a história da arte fica para as universidades apenas e a parte  prática se estuda em escolas especializadas em arte.

 

 

 

O que é necessário para um artista ser representado por uma galeria?

O artista deve se preocupar em mostrar o seu trabalho em instituições, fazê-lo da melhor forma e  confiar na pessoa que esta divulgando seu trabalho.

 

 

Como você estuda, como se atualiza. 

Estudar arte para mim è pintar, fazer, sair para  observar o mundo que me cerca, experimentar materiais, visitar artistas, conhecer novos procedimentos. As vezes nos sentimos um pouco "cão vira-lata" mas è assim que se faz. Testa, aprende, esquece, faz de novo, viaja, retorna.  A pratica de atelier è essencial, è como viver.

 

 

Quais são seus planos para o futuro?

Continuar trabalhando e melhorando o trabalho sempre.Tenho plano de expor minhas pinturas, gravuras e desenhos juntos, vemos de quando em vez artistas que fazem exposição apenas de gravuras, ou apenas desenhos. não vejo muita graça nisso analisando hoje. " E como gostar só de loiras."

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