Gravura Brasileira

Gilberto Tomé e Ulysses Bôscolo

Gilberto Tomé e Ulysses Bôscolo

De 20/4/2010 a 22/5/2010

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Gilberto Tomé e Maria Geralda  - "A Madeira e seus Desenhos" - xilogravura e marchetaria

 

  

  

Ulysses Bôscolo - O Livro de Seda

     

20 de abril a 22 de maio de 2010.

 

O LIVRO DE SEDA.

”Uma mesa pequena com um conjunto de trabalhos em xilogravura impressas em papel de seda bem antigo que eu encontrei recentemente em uma papelaria do centro de São Paulo.
O suporte lembra muito as folhas de papéis chineses usados na escola para poemas e caligrafias. Eles podem ficar expostos, para a pessoa folhear, como um livro mesmo ou um diário rosa cheios de possibilidades de leitura: uma espécie de dossiê com algumas imagens-sonhos que tenho feito de modo muito rápido, todos os dias, planejando os espaços ocupados pelo corte: pela linha branca (a linha toda iluminada do percurso de um caracol).
As imagens gravadas são como desenhos de labirintos irregulares, feitos por um "bicho da seda". As formas surgem de dentro do papel... de dentro das fibras e poros rosas como uma pele queimada pelo sol. A pele de um desenho "mordido" no momento em que a larva se alimenta das folhas... no momento que a minha imaginação e o meu corpo se alimentam da madeira, mastigando na folha do compensado uma origem, uma necessidade natural de trabalhar destruindo, lascando aos poucos a composição, produzindo assim buracos, sombras, vazios estranhos e silenciosos,  comidos por mandíbulas (goivas e facas) que partem do UNIVERSO das formas variadas e simples, de pássaros; borboletas, casas, conchas, insetos, árvores, traças e a relação especial, dessas pequenas criaturas com a cidade de São Paulo. Criaturas escondidas num verdadeiro MIMETISMO, que estão a luz do dia, participando da vida urbana e que saem a noite para roubar um pouco do brilho das estrelas, ofuscadas pela luz dos postes de iluminação, entre vielas, ruas e avenidas movimentadas 24h.
Um sistema.
Uma magia.
Um tempo gravado, como as linhas escritas (e dobradas) na palma da mão; entre a infância e a maturidade.

A mesa, eu vou fazer, com restos de materiais de construção.
Já tenho o suporte. Ela é pequena.
O tampo deve ser de pinho claro, será muito limpa... com todos os veios aparecendo. Será como uma mesa de escola.”

Texto do artista Ulysses Bôscolo
Fevereiro de 2010.

 


A madeira e seus desenhos
GILBERTO TOMÉ E MARIA GERALDA


Projeto “A madeira e seus desenhos”
xilogravura e marchetaria
gravuras e objetos em dimensões variadas

autoria: os objetos e parte das matrizes xilográficas estão sendo produzidos numa parceria entre Gilberto Tomé e Maria Geralda Silva. A partir de desenhos iniciais propostos por Tomé, a execução de cada peça é coordenada por Geralda: mas, como em todo processo de elaboração artística, ambos participam ativamente da construção de todo e qualquer trabalho, visto que soluções de desenho, combinações entre madeiras e dimensões, entre tantos outros aspectos, são constantemente revistos a cada etapa.


APRESENTAÇÃO
   
Maria Geralda, mineira de Capelinha, Vale do Jequitinhonha, desenha e constrói móveis e objetos. Gilberto Tomé, paulistano, trabalha com artes gráficas.
Ambos somaram suas trajetórias e experiências para a produção de uma série de objetos em madeira. O que seria, a princípio, apenas a produção de matrizes xilográficas de topo logo se transformou em experimentos tridimensionais em marchetaria, a bela arte da junção de diferentes madeiras, explorando suas diversas texturas e cores através da construção de formas.
Os objetos apresentados nesta exposição são os primeiros frutos dessa parceria: refletem a pesquisa de várias madeiras brasileiras na busca de uma solução formal para representar figuras, espaços e tempos de nossa paisagem materna.
Parte deste trabalho resulta também de um apoio do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, entre 2008 e 2009.
O projeto pretende abordar as múltiplas possibilidades de ação sobre a madeira na elaboração de desenhos.
O conceito de desenho aqui utilizado extrapola a idéia de linha e se confunde com a noção de projeto: é também equivalente à materialização de um pensamento propositivo, que guarda em si uma reflexão e uma crítica (no sentido de identificação de critérios) sobre o próprio trabalho de arte feito a partir da madeira. Essa visão mais ampla sobre o desenho apoia-se na reunião de duas diferentes linguagens: a xilogravura e a marchetaria, que procuram integrar-se não somente pela madeira (matéria que as origina), mas pelas formas, significados e relações das próprias figuras nelas “desenhadas” e construídas.
São utilizadas madeiras como a embuia, o ipê, a peroba-rosa, a grevília, a guarucaia, a braúna e outras, todas de origem brasileira. Devido às proporções relativamente pequenas desses objetos, as madeiras utilizadas são de origem reciclada, vindas em sua maior parte de antigos madeiramentos de telhados e peças de mobiliário. Todos esses objetos se constroem a partir de formas bastante elementares, consoante a técnica da marchetaria maciça, onde cada peça de madeira é cortada, colada e polida com bastante exatidão. Esses objetos não deixam de ter uma concepção escultórica, visto que são pensados nas suas estruturas de cheios e vazios e em suas relações com o espaço e com a luz. A própria conjugação das diferentes texturas e cores das madeiras (sempre apresentadas em seus aspectos naturais, sem nenhum tingimento ou pintura) – típico recurso da marchetaria – enriquece e dinamiza a composição das peças.
A partir desses objetos, são elaboradas as xilogravuras, mas em alguns casos, é das xilos que nasce a concepção dessas peças tridimensionais. Na gravura, explora-se a construção da matriz xilográfica, através da composição dos desenhos dos veios da madeira. Utiliza-se também a variedade gráfica da linha entre as matrizes de topo e de fio numa mesma estampa. Na composição das imagens, predomina um pensamento tipográfico, não somente na figuração, mas na construção das várias impressões.
Este trabalho procura encaminhar uma manifestação poética individual para o diálogo sincero com o coletivo. Elegendo-se a madeira como a matéria a ser trabalhada para conduzir essa comunicação entre subjetividades, utiliza-se a empatia harmoniosa que os sentidos humanos comuns mantém com suas cores, texturas e cheiros.
Cabe então aos desenhos propostos nos objetos e xilogravuras fixarem estas sensações, atrelando-as ao sentimento e à memória.

DOS CAMINHOS DO MAR

Apresenta-se ainda, na Galeria Gravura Brasileira, uma inédita série de gravuras elaboradas por Gilberto Tomé, cuja confecção de parte das matrizes também teve colaboração de Maria Geralda.
São imagens retiradas de uma pesquisa apenas iniciada sobre um eixo fundamental de nossa paisagem histórica, os caminhos da Serra do Mar no trecho que une a baixada santista ao planalto paulista.
A partir deste tema, desenvolve-se o pensamento gráfico iniciado na série anterior da madeira e seus desenhos.

CURRÍCULO
GILBERTO TOMÉ


Artista gráfico, concluiu o curso de Arquitetura e Urbanismo na Fau USP em 1992.
O início de sua atividade profissional com as artes gráficas ocorreu na Oficina das Artes do Livro – espaço voltado à divulgação das tradicionais técnicas de fabricação de papel, impressão tipográfica e encadernação – dirigida pelo artista plástico
Otávio Roth.
Tem complementado sua formação em artes visuais com artistas como Massao Okinaka, Sérgio Fingermann, Dudi Maia Rosa, Francisco Maringelli, Paulo Barreto e Evandro Carlos Jardim.
Em 1996, estruturou um pequeno escritório de design, a Fonte Design, e desde então desenvolve projetos gráficos para livros, revistas e guias culturais, entre outros.
Participou, em 2005, da primeira edição do Ateliê Amarelo, projeto de ateliê-residência no centro da cidade de São Paulo, coordenado pela gravadora Maria Bonomi. Em 2007, recebeu Prêmio Aquisição da IV Bienal de Gravura de Santo André, SP, pelo trabalho entitulado “A cidade e uma gráfica: um caderno-cartaz”. E em 2008, seu projeto “A madeira e seus desenhos” foi selecionado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Formação
Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela FAU USP, de 1987 a 92

Outros Cursos
•    2008/2009 – marchetaria, Ateliê Maria Geralda Silva, São Paulo, SP;
•    2000/2007 – xilogravura, Ateliê de Gravura Sesc Pompéia, com Evandro Carlos Jardim, São Paulo, SP;
•    2002 – desenho, Oficina no Sesc Pompéia com Luís Baravelli, São Paulo, SP;
•    2001/2002 – desenho, Ateliê de Modelo Vivo, Centro Universitário Maria Antonia, com Paulo Barreto, São Paulo, SP;
•    2001/2002 – xilogravura, Ateliê de Gravura, Centro Universitário Maria Antonia, com Francisco Maringelli, São Paulo, SP;
•    2000 – pintura, Oficina no Senac SP com Paulo Pasta, São Paulo,
•    1999 – monotipia, Oficina no Sesc Ipiranga com Dudi Maia Rosa, São Paulo, SP;
•    1999 – pintura oriental / Sumi-ê, curso na Fundação Cultural Brasil Japão com Massao Okinaka, São Paulo, SP;
•    1998 – pintura oriental / Sumi-ê, Ateliê Rita Böhm, São Paulo, SP;
•    1995 – pintura, Ateliê Sérgio Fingermann, São Paulo, SP;
•    1994 – cenografia, Centro de Pesquisa Teatral do Sesc Anchieta, com J.C.Serroni, São Paulo, SP;
•    1994 – caligrafia, com Prof. Di Franco, São Paulo, SP;
•    1993 – Tecnologia Digital em Design Gráfico, Senac SP, São Paulo, SP.

Experiências profissionais
•    2009 –  desenvolve o projeto “A madeira e seus desenhos”  selecionado pelo ProAC / Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo;
•    2007, 2008 e 2009 –  coordena curso de xilogravura na Oficina Cultural Oswald de Andrade, Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo;
•    2006/2007 –  desenvolve o projeto “A cidade e uma gráfica: um caderno cartaz” selecionado pelo PAC / Programa de Ação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo;
•    2005 –  atua como artista gráfico no Ateliê Amarelo, projeto da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo;
•    1996 a 2010 – sócio diretor da Fonte Artes Gráficas (Fonte Design), desenvolvendo vários projetos gráficos na área
editorial, entre outros;
•    1993 a 1996 –  atua como designer na Oficina das Artes do Livro, de Otávio Roth, São Paulo, desenvolvendo aí atividades ligadas à caligrafia, ilustração, produção de papéis artesanais, tipografia, encadernação e produção gráfica industrial;
•    1993 –  atua como ilustrador no escritório Mello&Tróia Designers Associados, de Francisco Homem de Mello, São Paulo.

Exposições
•    2009 – Armazém, 15 visões em madeira gravada, coletiva no ateliê BIba Rigo, São Paulo, SP;
•    2009 – Figuras, órbitas e fábricas, coletiva na Ofiicna Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, SP;
•    2009 – A madeira e seus desenhos, gravuras e objetos de G.Tomé e Maria Geralda, Ateliê Araçariguama, São Paulo, SP;
•    2008 – Passagens, coletiva na passagem subterrânea da Rua da Consolação, São Paulo, SP;
•    2008 – Gráficas Cuba e Brasil, coletiva no Círculo 3 / Ateliês Piratininga e Coringa, São Paulo, SP;
•    2008 – Perto dos Olhos, coletiva no Círculo 3 / Ateliês Piratininga e Coringa, São Paulo, SP;
•    2008 – Um cartaz para São Paulo, coletiva organizada pelo Senac SP no Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP;
•    2007 – Gravura 12 x 14, coletiva no Espaço Ateliê, São Paulo, SP;
•    2007 – Cidade e Cultura: dimensões contemporâneas, mostra coletiva na Estação Cultura, FAU USP São Carlos, SP;
•    2007 – 4ª Bienal de Gravura de Santo André, Santo André, SP;
•    2007 – Recortar e Colar, Ctrl C Ctrl V, mostra coletiva no Sesc Pompéia, São Paulo, SP;
•    2007 – A cidade e uma gráfica, mostra individual no Parque Fernando Costa, Água Branca, São Paulo, SP;
•    2006 – Cidade Figurada, coletiva no Museu Octávio Vecchi, Horto Florestal, São Paulo, SP;
•    2005 – Ateliê Amarelo, exposições durante o período de residência, São Paulo, SP;
•    2005 – 3ª Bienal de Gravura de Santo André, Santo André, SP;
•    2005 – XIII Bienal de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal;
•    2005 – Cidade Gráfica, projeto Mural do Quintal, Sesc Ipiranga, São Paulo, SP;
•    2005 – Livros, álbuns e cadernos de artista, coletiva na Graphias Casa da Gravura, São Paulo, SP;
•    2004 – Ateliê de Gravura Sesc Pompéia, coletiva no Sesc Pompéia, São Paulo, SP;
•    2003 – 2ª Bienal de Gravura de Santo André, Prêmio Edição, Santo André, SP;
•    2003 – Projeto Lambe-lambe, coletiva nos Ateliês Piratininga e Coringa, São Paulo, SP;
•    2003 – Madeira e Metal, Gravuras Paulistas; coletiva no MACC – Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba, SP;
•    2003 – Ateliê de Gravura Sesc Pompéia, coletiva no Sesc Pompéia, São Paulo, SP;
•    2002 – Madeira e Metal, Gravuras Paulistas; coletiva no Museu do Trabalho, Porto Alegre, RS;
•    2001 – II Mostra de Arte Maria Antonia, coletiva no Centro Universitário Maria Antonia, São Paulo, SP;
•    2001 – Ateliê de Gravura Sesc Pompéia, coletiva no Sesc Pompéia, São Paulo, SP;
•    2000 – Ateliê de Gravura Sesc Pompéia, coletiva no Sesc Pompéia, São Paulo, SP;
•    1993 – Brasil Pequenos Formatos Poucas Palavras, coletiva na Documenta Galeria de Arte, São Paulo, SP;

Seleções e premiações
•    2008 – A madeira e seus desenhos, projeto selecionado pelo ProAC / Programa de Ação Cultural da Secret. de Estado da Cultura SP;
•    2007 – 4ª Bienal de Gravura de Santo André, Prêmio Aquisição, Santo André, SP;
•    2006 – A cidade e uma gráfica, projeto selecionado pelo ProAC / Programa de Ação Cultural da Secret. de Estado da Cultura SP;
•    2003 – 2ª Bienal de Gravura de Santo André, Prêmio Edição, Santo André, SP;
•    2003 – Prêmio Jabuti, Menção honrosa para a capa do livro “Fúria santa: Cacilda Becker”, São Paulo, SP;
•    2002 –  Fundação Bienal, cartaz selecionado para exposição de cartazes de divulgação da 25ª Bienal, São Paulo, SP;
•    2001 – Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, cartaz selecionado para exposição de cartazes de divulgação da Mostra, São Paulo, SP;
•    1999 – Marca Brasil 500 Anos, Agência Brasileira de Correios e Telégrafos, marca selecionada, Brasília, DF;
•    1997 – Marca Direitos Humanos, Agência Brasileira de Correios e Telégrafos, marca selecionada, Brasília, DF.


CURRÍCULO

MARIA GERALDA



Formação
Faculdade de Filosofia São Bento, São Paulo, SP (curso em andamento)

Outros cursos
• Design e Marcenaria, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, São Paulo, 1998 - 1999
• Atelier de Marchetaria, Serviço Social do Comércio – SESC Pompéia, São Paulo, 1998
• Desenho Artístico, Escola Vinte e Oito de Julho, São Caetano do Sul, 1987 - 1988
• Escultura e Entalhe em Madeira, com Firmino dos Santos, Diamantina – MG, 1977

Experiências profissionais
• 2007-2008: Execução de trabalhos em marchetaria para a série Segredos, de Regina Silveira
• 2004 - 2008: Execução de peças em marchetaria de sua autoria, expostas na loja do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) , SP
• 2000-2008: Design e execução de móveis e objetos utilitários em madeira
• 2003 - 2004: Execução de peças em marchetaria de sua autoria, expostas na loja do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) , SP
• 2003 - 2004: Coordenação de curso de marchetaria no Parque-Escola da Prefeitura Municipal de Santo André, SP

Exposições
•    2009 – Figuras, órbitas e fábricas, coletiva na Ofiicna Cultural Oswald de Andrade, São Paulo, SP
•    2009 – A madeira e seus desenhos, gravuras e objetos de G.Tomé e Maria Geralda, Ateliê Araçariguama, São Paulo, SP






















 

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