Gravura Brasileira

Fernando Augusto, Fúlvia Molina e Walter Wagner

Fernando Augusto, Fúlvia Molina e Walter Wagner

De 19/5/2006 a 19/6/2006

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FERNANDO AUGUSTO, FÚLVIA MOLINA E WALTER WAGNER

Desenhos, Fotografias e Gravuras
    
 
A galeria Gravura Brasileira inaugura em 09 de maio de 2006 a exposição de desenhos, gravuras e monotipias de Fernando Augusto, Fúlvia Molina e Walter Wagner. Esta mostra terá continuidade no atelier Presse Papier em Quebec, Canadá com a residência e exposição dos artistas no período de 26 de maio a 18 de junho de 2006.

 
Abertura: 09 de maio, terça-feira, 19hs.
Exposição: de 10 de maio a 19 de junho de 2006.
Horários: segunda-feira a sexta-feira 10/18h e sábados 11/15h
Rua Fradique Coutinho, 953, Vila Madalena, ao lado da livraria da Vila
f. 11.3097.0301 e 3097.9193


 Fúlvia Molina

artista brasileira, vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Seu trabalho enfoca a memória social e política contemporânea de seu país. Aqui, a artista, trabalhando com envelopes usados, lixos do cotidiano, resquícios do dia a dia, que conservam uma memória do sensível partilhado por uma comunidade, realiza intervenções em que partilha  a sua subjetividade. Esses envelopes evocam dois tempos, em uma temporalidade colapsada, achatada: o tempo próprio dos envelopes e o da subjetividade da artista no momento da intervenção (desenho direto e gravura). Assumem assim, como objetos de arte, novos sentidos, em que memórias existentes dialogam com as produzidas por essas novas intervenções, criando novas percepções. É a partilha do sensível que, no dizer de Jacques Rancière, dá forma à comunidade

 

Fernando Augusto



"Eu sempre trato do corpo e a sua relação com a dor, o prazer erótico, sensual, e a morte. Para mim, o erotismo está na mesma medida que a morte. O prazer leva a morte", explica Fernando Augusto.
Mesmo parecendo uma visão pessimista dessas sensações, o artista diz encarar a morte, a dor e o prazer como algo reflexivo e otimista. "A morte tem uma beleza intrínseca à medida que se descobre os seus mistérios", diz.


Nasceu em Ipanhem, BA, 1960. Artista plástico graduado pela EBA/UFMG, BH. Ex-professor da EBA/UFMG e da Escola Guignard, BH, leciona na UEL. Premiado no II Salão Nacional de Arte de Goiânia (1984); VII e VIII Salão Nello Nuno (1986-87); II SAP de Governador Valadares, MG (1985); I, II e III Salão Integrarte (1985/86/88); XVIII SNAPBH, MAP (1986); VI Mostra de Desenho Brasileiro (1991); II Salão Paraense de Arte Contemporânea, Belém (1993); XVIII Salão de Artes de Ribeirão Preto, SP (1993); XII Salão de Arte de Santo André, SP (1994); XIV SNAP, Funarte, RJ (1994). Recebeu o Prêmio Gunther de Pintura, concedido pelo MAC/USP (1993-95), e o Prêmio Projeto Ocupação, Espaço Mário Schenberg, Funarte, SP (1996). Participou do IX Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto (1984); XVI e XVII SNAPBH, MAP (1984-85); XLII, XLIII, XLVIII, L e LII Salão Paranaense, Curitiba (1985/86/91/93/95); VII Salão Nacional de Montes Claros, MG (1985); VI Mostra de Gravura de Curitiba (1986); VI Salão Paulista, Ibirapuera, SP (1990); VII Salão de Arte da Fundação Mokiti Okada, SP (1990); XIII e XIV SNAP, Funarte, RJ (1993-94); XIII Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorama, Belém (1994); V Bienal Internacional de Pintura de Cuenca, Equador (1996). Participou das seguintes coletivas: Sete Manias, Itaúgaleria, BH (1986); VII Mostra do Desenho Brasileiro, Curitiba (1986); Arte Sobre Papel, Museu de Arte de Goiânia (1986); África Gerais, Museu Mineiro, BH (1988); XX e XXI Festival de Inverno da UFMG, Centro Cultural UFMG (1988-89); Panorama, Palácio das Artes, BH (1989); Mil Metros de Arte, PUC-MG, BH (1990); VI Mostra de Desenho Brasileiro, Curitiba (1991); Projeto Macunaíma, Funarte, RJ (1993); Bastidores da Criação, Oficina Cultural Oswald de Andrade, SP (1994); Picasso, uma Interpretação Paranaense, MAC-Curitiba (1994); Projeto Ocupação, Espaço Mário Schenberg (1996). Fez individuais na Galeria da Aliança Francesa, BH (1984); Itaúgaleria, SP (1987/88/91); Itaúgaleria, BH (1989-94); Goethe Institut, Mannheim, Alemanha, (1989); Palácio das Artes, BH (1991); Galeria Cemig, BH (1993); Museu do Estado de Pernambuco, Recife (1993); Galeria Sesc Paulista, SP (1995); Paço das Artes, SP (1995); Fundação Cultural de Curitiba (1996); Itaúgaleria, Foz do Iguaçu, PR (1996). Tem obras nos seguintes acervos públicos: MAP, UFMG e Fundação Clóvis Salgado, BH; UFV; UEL; Funarte, RJ; MAC-Curitiba; MASC, Florianópolis; Museu de Arte de Ribeirão Preto.

 

Walter Wagner


“Venho de família com aptidão para o desenho . Minha mãe ,costureira,desenhava para bordar. Minhas tias e meus primos desenhavam muito bem , por intuição . Para mim  , o desenho se apresentava como  desafio de representação de meu entorno. Nos anos 1980 ,fui para a Universidade e lá descobri a gravura em metal. Freqüentei  por seis anos o ateliê  de gravura em metal. Para pintar ,utilizava também o ateliê do NAC Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB. Em 1990 , fui morar em São Paulo.”

Walter Wagner

Trechos da entrevista de Walter Wagner concedido a Fernando Augusto via internet , maio de 2005 a fevereiro de 2006 .

Fernando Augusto- Gostaria de começar a nossa conversa perguntando sobre sua formação.Como lhe surgiu o interesse pela Arte e como você se fez artista?

Walter Wagner- Venho de família com aptidão para o desenho . Minha mãe ,costureira,desenhava para bordar.Minhas tias e meus primos desenhavam muito bem , por intuição . Para mim  , o desenho se apresentava como  desafio de representação de meu entorno .Nos anos 1980 , fui para a Universidade e lá descobri a gravura em metal . Freqüentei  por seis anos o ateliê  de gravura em metal. Para pintar ,utilizava também o ateliê do NAC Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB. Em 1990 , fui morar em São Paulo .

Fernando Augusto- Sabemos que todo artista deve algo à história da arte e a outros artistas  que  mais  lhe  interessam?E o quê , nesses artistas, lhe chamou mais a atenção?

Walter  Wagner- Por falar em História da Arte ,  comecei sem ela . Era eu e minha intuição . Aqui na província contemplava as pinturas dos tetos das igrejas , como referencia .Os artistas que realizaram  as pinturas de nossa mais importante igreja barroca , a de São Francisco , aqui , em João Pessoa ,são em sua maioria anônimos gigantes.Em minha adolescência, as visitas a esta igreja me deixavam de pescoço duro,de tanto ficar olhando para cima.Depois, corria para casa , na ânsia de pintar. Quanto às referencias  ,  claro que elas vieram a contribuir na formação do meu pensamento.Os artistas Bruce Nauman famoso por suas “instalações” , Joseph Beuys , com seus  múltiplos , sua teoria de arte e vida : Guignard e seu conceito  de  desenho a lápis  duro , deixando no papel os encavos  (para mim , isto é gravura e tenho utilizado tal método) : Giorgio Morandi, com  seu  universo  intimista e aquela pintura que chamo de pintura  caramelada, porque dá vontade de comer.

Fernando Augusto– Sua prática artística hoje transita por diversas vias ,gravura , desenho , pintura , instalação , escultura , fotografia e vídeo.Mas sua linguagem e essencialmente gráfica.Creio poder  dizer  que  seu  trabalho  tem  como fundamento o desenho. É a partir do desenho que você cria?

Walter Wagner –Sim , o desenho foi e é não apenas uma atividade,mas também   uma  postura  em  minha  vida  .  Hoje desenho melhor , por ter mais experiência de vida e por entender que o meu desenho é  um  desenho  de  memória da imagem. Todo meu trabalho vem do desenho e da gravura são meios transitórios que estabelecem relações e operam entre outros meios.A matriz da gravura já é um principio de escultura.Além do mais ,tenho utilizado seus  materiais nas minhas instalações. Utilizo a fotografia para mudar o foco dos processos habituais e fazer auto-retratos ,  como  aquele do corpo tatuado tocando violino.Foi o meio que encontrei para criar  e me projetar numa outra imagem.
Quanto às esculturas  , elas são projetos específicos , como é o caso da série de ossos em alumínio , tem relação muito próxima com os desenhos . A mesa  de três metros de altura,em que guardei meu lixo doméstico. A obra se completa   com a passagem das pessoas por baixo da mesa ,visualizando-se o lixo e o mapa da Paraíba , em grande escala feito com esterco . E um repúdio à mesmice e à falta de uma política cultural no Estado. É também outro exemplo  de uma relação direta:criar partindo do meu entorno .Não penso apenas em esculturas, instalações , pintura ou fotografia , mas sim em buscar soluções para os meus  pensamentos e projetos de arte .

Fernando Augusto – Como a questão material entra em seu trabalho? Qual a importância da matéria em seu processo de criação ?

Walter Wagner –Aí , volto a colocar a vida na mesa . é  impossível não fazer está relação:a casa,seus objetos e odores:a cozinha como espaço sensorial  da alquimia doméstica , que estimula a salivação : o cheiro do bacon que frita ; o vapor da panela no fogo, as frutas que se decompõem na fruteira sobre a mesa. Com a lavanda,também entra no armário a história das estações .(Gaston Bachelard) . Foi e é  assim que os materiais entram no meu trabalho ;existe uma relação com as imagens. E,quando esses materiais são utilizados  na obra,  trazem sua carga simbólica da vida .O exterior do armário me interessa  como forma . Tenho utilizado açúcar queimado , como mel, para desenhar no espaço em que vou expor,tirando partido do cheiro e das sensações que tais elementos acionam,inclusive atraindo insetos.Sai-se do domínio do artista,e volta á natureza , neste caso.

Fernando Augusto– Salvo engano , você  começou , em São Paulo , nos anos  1990 , a fazer  pequenos  objetos fundidos  em alumínio extraído de latas de refrigerantes.Eram objetos em forma de casas ,que você colava nas telas ou nas paredes . Fale um pouco sobre esses trabalhos .

Walter Wagner –Com a gravura ,  tive  a  possibilidade de manter mais contato com os metais : chumbo , alumínio , latão,cobre . Inicialmente ,pensei em fundir  estes objetos em cobre , mas , devido às dificuldades de fundição, fui para segunda opção o alumínio , optei fundir em alumínio reciclado (um alumínio com mais impureza).O resultado é uma cor muito próxima do chumbo que responde a meus propósitos de cor e oxidação.Foram minhas primeiras saídas do plano bidimensional . Era , sim  , um trabalho em pequena escala , intimista , pensado para instalações , que resultou  depois nos ossos fundidos em alumínio .

Fernando Augusto– Você  tem  se  voltado cada vez mais para questões espaciais e escultóricas . Como está seu trabalho hoje?

Walter Wagner – Tenho me questionado muito, o trabalho está mais “contaminado” pelos meios . Nas últimas semanas , venho trabalhando num vídeo. Construindo casas. As imagens iniciais são de ex- votos, de casas e ,na seqüência , imagens de trabalhadores construindo uma casa . Uma vez editado o vídeo , fiz algumas casas de madeira em pequena escala . Essas casas ficaram no ateliê por semanas  , eu só olhando para elas .Certo dia , entrou no estúdio e as coloquei sobre uma mesa uma em cada canto da mesa pensei : “Isto é Escultura”.Mas não foi pensado como escultura.Agora existe um novo problema  a ser resolvido ; deixa aí , criando teia de aranha;e, enquanto isto vou pensando . Aí vem a vida com suas imposições que nos arrebata  , com nossos problemas domésticos.Depois de semanas,volto ao ateliê e você saberia o que me levou ao ateliê , nesse momento? Pode imaginar? Um filhote de gato penetrava pela entrada de ar , ficou preso e miava muito . Resolvido o problema do gatinho  , me sentei diante do problema  , o escultórico: é escultura ou não é escultura? Aí me veio o click! Perguntei –me : e se eu tirasse o tampo da mesa?
Se acrescentar meus ossos de alumínio , fixando-os para criar uma articulação e coloca-los sob o esqueleto da mesa , mantendo as casas nas pontas?Foi o que eu fiz.Passamos alguns dias,levo uma câmera  fotográfica ao ateliê,posiciono-a  em vários ângulos e vou fotografando . Aí começo a ver  , pela lente da câmera  , uma paisagem que me causa estranhamento . Faço mais de cem fotos descarrego-as no computador e vou mudando as imagens ,forma e cor.Depois de todas as voltas que acabo de dar , repondo: o que fiz foi elaborar uma coisa tridimensional para voltar ao bidimensional. Assim está meu trabalho , hoje ,com suas relações espaciais .Noutra vida , se possível , quero ser pianista! Deve ser menos complicado.

 

Walter Wagner -currículo
João Pessoa /PB

Estudos em gravura na Universidade Federal da Paraíba e no NAC  Núcleo de Arte Contemporânea.

2006-Gravura Brasileira . São Paulo – SP
Presse papier – exposição e residência . Quebec. Canadá

2004-Convite de residência no ateliê Presse Papier , Quebec. Canadá
Naturezas – mortas , interiores , arquiteturas e paisagens .Galeria Rosa
Barbosa , São Paulo – SP
Entorno , Galeria Archidy Picado / Funesc. João Pessoa . PB

2003- Projeto Horizonte Nômade – Centro Cultural portão NUMA –
Sala Célia N.Lazarrotto , Curitiba PR
A gravura bem obrigada !Galeria Virgilio , São Paulo – SP
Dia Internacionale Kuentlerkolonie Schloss Almoshof , Nuremberg Alemanha , obra permanente .

2002- 1 SP arte – Oca – Parque Ibirapuera , São Paulo – SP
Entorno – Galeria da Funarte , São Paulo – SP

1999 -Uma roça um Oásis , Museu Lasar Segall , São Paulo – SP
Mostra Rio Gravura , Palácio Gustavo Capanema , Funarte ,
Rio de Janeiro – RJ
XII Mostra da gravura de Curitiba , Mostra Brasil , Curitiba –PR
Programa Rumos Visuais , banco de dados , Itaú Cultural –SP-

1997-5 Internacional Art Triennal Madjneg, Lublin, Polônia
Conexão 3.Núcleo de Arte Contemporânea , João Pessoa –PR
Conexão 3.Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco , Olinda
Reflexão 97.Arte Contemporânea e Gravura , Curitiba .PR
VI Bienal Nacional de Santos , Santos – SP
   
1995-XI Bienal Gravura da cidade de Curitiba .P
Prêmio Gunthe de Pintura , MAC , São Paulo –SP

Exposições Individuais

2002 – Galeria Rosa Barbosa , São Paulo – SP
2002 – Gravura Brasileira , São Paulo – SP
1995 – Museu de Arte Contemporânea de Americana SP
1993 – Galeria de Arte SESC Paulista , São Paulo – SP

Prêmios

1998 – 7 SALÃO DE Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo
prêmio desenho,salão de pequenos formatos,Galeria Unama , Belém .PA ,prêmio escultura .
1997 – Saja Salão de Arte de Jacareí , SP , prêmio Gravura
1996 – VII Salão Municipal de Artes Plásticas de João Pessoa , PB, prêmio  gravura.
1994 -  IX Bienal Ibero Americana de Dibujo y Estampa, México, prêmio gravura
1987 – II salão Municipal de Artes plásticas de João Pessoa PB , prêmio pintura .

Coleções
SESC  , São Paulo , SP . prefeitura de João Pessoa PB , Galeria Unama Belém , PA , Schloss Almoshof , Nuremberg , Alemanha , coleções privadas em várias cidades do Brasil em Alemanha , França , New York e Itália .


 




 

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